DESGASTADO E CENTENÁRIO MURO – UMA CRÔNICA À ESPERANÇA


São centenárias já suas fundações, desde 1910 quando Cândido Ferreira Pinto doou seu espaço.

Quando menino, bem lembro de seus muros quase enegrecidos pelo desgaste do tempo que junto com as torres sepulcrais eram vistos de longe. Parecia, àquele tempo, tão distante o campo santo...

Hoje, acercado pela cidade em latente crescimento, foi abarcado por ruas e já não é mais assustador como quanto antes... e por que eu tinha medo do cemitério?

Hoje; neste meu tempo, ele parece tão mais próximo...

Não que o natural medo tenha se ido, contudo, ele é diferente. Não é o medo sobrenatural que infere visões (im)possíveis de gente morta... E sim, o medo de ir-me; não por mim, mas por aqueles a quem tanto amo e que a mim também amam... Sofrerão por mim. Ficarão sem mim...

Este mesmo temor era por mim tido em relação ao meu pai quando ainda era tão dependente dele. Tinha medo de perdê-lo. Pensava: O que será de mim?

Hoje penso: o que será de minha filha, ela ainda é tão dependente de mim...

Por vezes, entrecortando pelas vielas dos túmulos em não oportunizadas visitas; sim, pois como se atração fosse; não raras vezes, solitário e qual espectro errante eu as percorro, e, divago em conclusões que não me são óbvias, como a de que a morte nos equaliza a todos; pondero...

Se ela nos lineariza; por que então esta diferenciação de espaços que claramente definem quem mais posses tiveram em vida e aqui denota-se pela dimensão dos sepulcros em sua localização privilegiada nesta campo cristão?

Se cristão é, qual razão de ser equidistante deste preceito...!?

Em tantas ponderações, cabisbaixo qual peregrino de Emaús, “tristes e abalado na fé” (Lc 24, 13-35), despertado pelas imagens de variadas e desbotadas grinaldas de roxas tonalidades e sinalizantes de um zelo somente anual, em uma destas, destaca-se o epitáfio: “última morada”; escrito em douradas letras em lápide marmórea. Algo que faz aflorar minha rasa filosofia: Qual razão de não compreendermos a transcendentalidade do espírito? Por que morada ao inerte que de tudo está?

Pondero que talvez seja por não compreendermos, tampouco, aceitarmos que somos: corpo (que nos prende à materialidade); alma (razão de nossa passionalidade) e espírito (o que nos transcendentaliza para além de nossa fé).

Todas estas dimensões em nossa vida devem acontecer nesta mesma ordem e em igual medida...

Mas isso é o que afirma a filosofia escolástica de Santo Agostinho, que é cristã, como cristão deveria ser o cemitério...

Sem respostas, sem soçobrar minhas certezas nestas infindáveis indagações, recolho-me à certeza do algo que ainda não possuo, como assim nos exorta Paulo de Tarso (Hebreus 11,1-7): minha FÉ, minha ESPERANÇA...


Por: Paulo Roberlando

Em: Notas de Cruz

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