ORIENTAÇÕES PARA EQUIPES DE LITURGIA

 

  1. Equipes de Liturgia: funções e modo de atuação;

  2. Critérios para a escolha dos Cânticos Litúrgicos;

EQUIPES DE LITURGIA: FUNÇÕES E MODO DE ATUAÇÃO.

 

  1. O que é uma equipe?

    • Conjunto de pessoas que se dedicam à realização de um mesmo trabalho.

 

  1. Concílio Vaticano II:

    • “Nas celebrações litúrgicas, cada qual faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete” (Sacrosanctum Concilium, 28). Ninguém deve acumular funções na liturgia (SC, 28•29). Cada membro é sujeito e tem a sua função específica em favor do bem comum da comunidade.

 

  1. Equipe de liturgia: o que e para quê?

    • Para o bom funcionamento é preciso haver organização. A liturgia não foge à regra, pois necessita de uma equipe de liturgia dedicada, atenta e disposta a servir.

 

    • Sendo a liturgia uma ação comunitária, pressupõe uma assembleia reunida com uma diversidade de ministérios exercidos por pessoas com dons e carismas distintos e complementares. Por sua natureza comunitária, a liturgia necessita do serviço de equipes que, em nome da comunidade eclesial, planejem sua vida litúrgica, preparem e avaliem as celebrações e qualifiquem os ministros e servidores para eficiente e eficaz desempenho de suas funções.

 

    • A equipe de liturgia o coração e o cérebro da pastoral litúrgica da vida da Igreja (regional, diocesana, paroquial e comunitária).

 

    • Ter espírito “pastoral”, ou seja, de “pastor” que dá a vida por suas ovelhas, é próprio de todos os seguidores e seguidoras de Jesus Cristo, principalmente de quem está servindo em uma pastoral.

 

    • As equipes de liturgia são as responsáveis pela pastoral litúrgica. Essa ação tem por objetivo auxiliar e fazer acontecer a participação ativa, consciente e frutuosa dos fiéis na celebração e por finalidade, a edificação do corpo de Cristo mediante a santificação das pessoas e o culto a Deus. Na edificação do corpo de Cristo, a pastoral litúrgica colabora com a edificação de toda a humanidade e da criação inteira, conforme afirma Medellín: “A celebração litúrgica coroa e comporta um compromisso com a realidade humana… e com a promoção” (9,4). Isso significa que também os membros da pastoral litúrgica devem visar à transformação do mundo em Reino de Deus.

 

    • Uma equipe de liturgia deve ser constituída levando em conta os três setores (o setor da celebração ou pastoral litúrgica – organização geral das celebrações -, o setor de canto e música litúrgica – ensaio cantos e pesquisa de novos -, e o setor do espaço litúrgico e da arte sacra – disposição do espaço sagrado e ornamentação). Essas equipes cuidam da vida litúrgica, animando a e articulando-a, com atenção às celebrações, à formação e à organização.

 

  1. Equipes de liturgia em nível comunitário.

    • Com uma atuação bem localizada, a equipe de liturgia da comunidade: promove e cria celebrações inculturadas; acompanha as equipes de celebração e toda a vida

litúrgica da comunidade; atua em sintonia com a equipe paroquial; providencia para que a liturgia seja dignamente celebrada.

 

  1. Como constituir uma equipe de liturgia?

    • A equipe deve ser constituída por pessoas que de fato amam e vivem a liturgia. Exige carisma e dom. Exige ainda conhecimento, uma formação básica ou mais aprofundada. Na verdade, não há uma regra única. Vai depender de cada realidade. A diversidade de carismas e dons enriquece a equipe.

 

    • Em linhas gerais, existem alguns caminhos para constituir uma equipe de liturgia:

      • Iniciar com um curso, para depois engajar as pessoas na prática;

      • Ir dando responsabilidades de acordo com o carisma de cada pessoa (acolhida, canto, organização etc.);

      • É importante que a equipe tenha uma legitimação da autoridade competente (bispo, padre etc.).

 

    • Bem constituídas, as equipes de liturgia vão exercer seu serviço com atenção às celebrações, à formação e à organização, lembrando que canto, música e arte, espaço celebrativo são partes interligadas da liturgia.

 

  1. Por melhor organização e funcionamento da equipe.

    • Bom começo para o processo de planejamento da equipe de liturgia é a elaboração do calendário de atividades, no qual são previstas as atividades relacionadas aos tempos e festas do ano litúrgico; datas e festas da paróquia ou da comunidade; datas especiais e reuniões da equipe de liturgia; atividades relacionadas à catequese, à pastoral do batismo etc.

 

    • Oportuno meio para articular o serviço da animação da vida litúrgica de uma paróquia, diocese ou regional é o plano de ação da equipe de liturgia, que permite caminhar com maior segurança, sabendo aonde se quer chegar. Existem diferentes modos de elaborar um plano. O mais importante é começar a planejar o rumo e as atividades que vão garantir o verdadeiro serviço de pastoral litúrgica. A própria ação de elaborar o plano ou o calendário de atividades constituirá um exercício de comunhão e de participação. É importante utilizar a dinâmica ação•reflexão•ação. Revela-se necessário que todos os participantes da equipe sejam sujeitos da ação que a equipe desenvolverá.

 

  1. Passos para a elaboração do planejamento (sugestão).

    • Ver a realidade — antes de qualquer passo, é importante que a equipe conheça a realidade, e isso em qualquer nível.

 

    • Discussão em equipe para:

      • Estabelecer objetivos (gerais e específicos);

      • Eleger prioridades;

      • Elaborar um cronograma de atividades: o que, quando, quem, onde e quanto. Aqui vemos a importância da elaboração de um calendário litúrgico­ pastoral;

      • Determinar recursos (humanos, materiais e econômicos);

      • Definir o método de avaliação.

    • Redigir o Plano de Pastoral Litúrgico; planejamento (calendário litúrgico): prever tudo com antecedência

.

    • Execução do Plano de Pastoral Litúrgico.

 

    • Avaliação e retomada do plano de pastoral.

 

 

 

ORGANIZAÇÃO LITÚRGICA: QUESTÕES PRÁTICAS

 

    • Sabemos que nenhuma atividade na comunidade funciona sem um mínimo de organização. A liturgia não foge desta necessidade. Para que a dimensão celebrativa funcione. Para que haja participação de todos, se faz necessário que alguém, uma equipe pense, planeje e, prepare com carinho e dedicação.

 

    • O primeiro critério que esta equipe ou pessoas devem ter presente é o “Querer Celebrar Bem”. Celebrar de tal modo que favoreça a participação de todos os presentes.

 

  1. Preparar a missa com antecedência: Invocar o Espírito Santo, ler todas as leituras e refletir, a partir delas e do tema central da celebração, sobre as admonições (comentários BREVES), cânticos,...

 

    1. Procurar não trocar os cantos da Celebração (exceto quando ninguém souber); procurar cantar durante o tempo de execução do ato, nunca estendê- lo.

    2. Ato Penitencial – Com atitude de arrependimento (pedido de perdão); sem dança ou palmas;

    3. Glória – Observar o Tempo Litúrgico (não se canta na Quaresma);

    4. Liturgia da Palavra – entrada com o Lecionário só na Procissão de Entrada (Carregar a Bíblia ou Lecionário fechado). Os leitores devem colocar-se na frente do Ambão da Palavra (não atravessar na frente do altar);

    5. Leituras – Ler do Lecionário (leitores quem deve ler);

    6. Salmo – Procurar cantar sempre que houver cantor salmista (não anunciar “salmo responsorial”, exceto em missa campal, na Igreja jamais; nunca dizer TODOS);

    7. Aclamação ao Evangelho – Comentarista deve convidar a assembleia para se colocar em pé para aclamar o Evangelho; observar se a assembleia está em pé ou sentada antes de convidar. Não cantar ALELUIA na Quaresma;

    8. Preces da comunidade – respostas cantar sempre que possível; permanecer em pé (não dizer TODOS); deve ser feita do Ambão;

    9. Ofertório – só Pão, Vinho e água, o que será partilhado na comunhão;

    10. Santo – Procurar cantar sempre;

    11. Doxologia: Por Cristo, com Cristo, em Cristo – é Oração do Padre não da assembleia;

    12. Pai Nosso– Opcional cantar (correto é rezar; sem AMÉM);

    13. Cordeiro – procurar cantar sempre; inexiste na Celebração da Palavra.

    14. Abraço da Paz – sempre motivado pelo Padre. Se ele não convidar, não fazer;

    15. Comunhão – comentário após o padre beber do cálice;

    16. Ação de Graças – “A Missa é toda Ação de Graças”, pode-se guardar silêncio ou cantar um canto de interiorização;

    17. Avisos – só uma pessoa deve dar os avisos para evitar dispersões;

 

  1. Sintonizar equipe, presidente e assembleia;

 

  1. Chegar à Igreja com 30 minutos de antecedência, no mínimo, para se preparar.

 

  1. Acolhida aos fiéis e preparação do ambiente com silêncio.

 

  1. Verificar antes as leituras, microfones, velas acesas e providenciar quem faz coletas. Evitar “atropelos”.

 

  1. Evitar conversas e movimentação alheia à celebração. Exemplo: falar, caminhar dum lado a outro, distribuir folhetos, abrir e fechar janelas, etc.

 

  1. Comentarista não deve anunciar partes da missa, exceto quando a missa for campal; deve ficar perto do microfone e procurar se comunicar com a assembleia.

 

  1. Os leitores da Palavra de Deus não devem ser anunciados pelo nome. É Deus quem vai falar por Ele. Não anunciar títulos. Somente uma pessoa deve ficar no Ambão, devem cuidar da posição do microfone.

 

  1. O Altar é o centro da celebração, portanto todos devem estar voltados a ele. Só quem está lendo, comentando ou puxando os cânticos deve estar de frente para a assembleia, e só neste momento.

O Altar não deve ser “ofuscado” por adornos que se sobressaiam a ele: “A ornamentação da Igreja deve visar mais para a simplicidade do que para a pompa” (Instrução Geral do Missal Romano, 279). No caso de arranjos de flores, procurar colocá-los ao redor do Altar ou nas laterais, ou, se houver, aos pés da Cruz Processional, nunca em cima dele; evitar o centro. Evitar, também, as práticas de uso de arranjos muito volumosos.

 

  1. Postura e vestimenta da equipe de liturgia. Devemos estar vestidos próprios para a ocasião.

 

 

 

 

 

CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DOS CÂNTICOS LITÚRGICOS

 

 

Não é qualquer canto que se escolhe para as celebrações. Existem cantos litúrgicos (para as missas) e cantos mensagem (para outras ocasiões, encontros, etc...). As características do Canto litúrgico são:

 

  1. Conteúdo ou inspiração bíblica;

  2. Qualquer salmo cantado é litúrgico;

  3. Deve ter melodia fácil;

  4. Todos os cânticos litúrgicos são personalizados (ritmo próprio, letra própria e momento próprio);

  5. Ter cuidado com as músicas destinadas às partes fixas da Celebração (Glória, Santo, Pai Nosso, Cordeiro), pois cada um tem o seu conteúdo próprio e isto é da Tradição da Igreja.

 

As características a serem levadas em consideração são:

 

  1. Canto de entrada:

Letra: Deve ser um convite à celebração! Deve falar do motivo da celebração. Música: De ritmo alegre, festivo, que expresse a abertura da celebração.

 

  1. Canto penitencial:

De cunho introspectivo, a ser cantado com expressão de piedade. Deve expressar confiança no perdão de Deus.

Letra: Deve conter um pedido de perdão, sem necessariamente seguir a fórmula do Missal. Música: Lenta, que leve à introspecção. Sejam usados especialmente instrumentos mais suaves.

 

  1. Canto de Glória:

Letra: O texto deve seguir o conteúdo próprio da Tradição da Igreja. Música: Festiva, de louvor a Deus. Podem ser usados vários instrumentos.

 

  1. Salmo Responsorial:

Letra: Faz parte integrante da liturgia da palavra: tem que ser um salmo. Deve ser cantado, revezando solo e povo, ou, ao menos o refrão. Pode ser trocado pelo próprio salmo cantado, porém nunca por um canto de meditação.

Letra: Salmo próprio do dia

Música: Mais suave. Instrumentos mais doces.

 

  1. Aclamação ao Evangelho:

Letra: Tem que ter ALELUIA (louvor a Javé), exceto na Quaresma. É um convite para ouvir; é o anúncio da Palavra de Jesus. Deve ser curto, e tirado do lecionário, próprio do dia.

Música: De ritmo vibrante, alegra, festivo e acolhedor. Podem ser usados outros instrumentos.

  1. Canto das oferendas:

É um canto facultativo. A equipe decide e combina com o padre. Caso não seja cantado, é oportuno um fundo musical (exceto Advento e Quaresma), até que as ofertas cheguem até o altar, cessando então, para que se ouça as orações de oferecimento que o padre rezará, então, em voz alta.

Letra: Não é tão necessário que se fale de pão e vinho. Pode falar do oferecimento da vida, etc...

Música: Melodia calma, suave. Uso de instrumentos suaves.

 

  1. Santo:

É um canto vibrante por natureza.

Letra: Se possível seguir o texto original, indicado pela Tradição da Igreja.

Música: Que os instrumentos expressem a exultação desse momento e a santidade “Tremenda de Deus”. Deve ser sempre cantado.

 

  1. Doxologia: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo”

É uma hora muito importante e solene. É o verdadeiro e próprio ofertório da missa. É cantado apenas pelo Sacerdote. O AMÉM conclusivo, aí sim cantado pelo povo é o mais importante da Missa e deve ser cantado ao menos aos finais de semana.

 

  1. Pai-Nosso:

Pode ser cantado, mas desde que com as mesmas e exatas palavras da oração. Não de diz o Amém, mesmo quando cantado.

 

  1. Cordeiro de Deus:

Pode ser cantado com melodia não muito rápida e sempre com as mesmas palavras da oração.

 

  1. Canto de Comunhão:

É um canto processional, para se cantar andando.

Letra: Preferência que tenha sintonia com o Evangelho e que seja “Eucarística”. Música: Processional, toada, balada, etc...

 

  1. Ação de Graças:

Se for o caso, se canta dando graças, louvando e agradecendo o encontro com o Senhor e com os Irmãos. No entanto, que se tenha tempo de silêncio profundo e de adoração e intimidade com o Senhor. Instrumentos mais doces e melodia lenta e que leve a adoração.

 

  1. Canto final:

É para ser cantado após a Bênção Final, enquanto o povo se retira da Igreja: é o canto de despedida.

Letra: Deve conter uma mensagem que levaremos para a vida, se possível, referente ao Evangelho do dia.

Música: Alegre, vibrante. Podem ser usados outros instrumentos.

 

A palavra "liturgia" é uma palavra da língua grega: LEITURGUIA de leiton-érgon que significa "ação do povo", "serviço da parte do povo e em favor do povo". Na tradição cristã, ele quer significar que o povo de Deus torna parte na "obra de Deus". Pela Liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra de nossa redenção.